Natal, Solstício, Sol em Capricórnio


​​Ao longo da sua trajetória de aproximadamente 365 dias ao redor do Sol, a Terra fica alinhada de forma bastante especial em quatro momentos, que correspondem ao início das 4 estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Chamamos estes momentos de Solstícios (quando o Sol aponta nos signos de Câncer-Capricórnio) e Equinócios (Áries-Libra). Estes são os signos chamados de Cardinais e que trazem a energia dos inícios e dos impulsos.

Solstício é o Sol + sístere (parado). É Sol que chega no ponto máximo e pára, para depois retomar o movimento de subida em direção ao hemisfério norte ou de descida rumo ao hemisfério sul.

Se os signos zodiacais funcionam como um grande relógio cósmico e serve (dentre outras coisas) como marcadores do tempo e de ciclos, porque não nos ajudaria a orientar nossos tempos e ciclos de vida individuais e coletivos, uma vez que também somos parte da natureza?

A partir da Linha do Equador, e devido à inclinação da terra de 23º27’, traçamos dois paralelos: 23º27’ acima dela, o Trópico de Câncer e 23º27' abaixo do equador, o Trópico de Capricórnio. Uma forma de marcar os Solstícios de Inverno e Verão. Quando o Sol entra na faixa zodiacal de Capricórnio significa que a terra está recebendo a máxima quantidade de luz vinda do sol aqui no Hemisfério Sul, no Trópico de Capricórnio e temos o dia mais longo do ano e a noite mais curta. O inverso acontece no Hemisfério Norte que inicia o inverno, com a noite mais longa e o dia mais curto do ano. Capricórnio e Câncer marcam estes pontos extremos.

A Astrologia é uma linguagem simbólica, e por isso todo o movimento celeste que acontece fora procuramos traçar paralelos com o que acontece dentro da gente.

Também é importante compreender que os significados simbólicos e mitológicos comuns na astrologia foram extraídos sob o ponto de vista da localização no hemisfério norte. Não só a Astrologia absorveu este legado, como também o próprio calendário das principais festas religiosas que temos atualmente, como o Natal por exemplo.

Se considerarmos o Sol como o grande coração central, o centro do nosso sistema, os movimentos do Solstício de inverno e de verão são como os movimentos de sístole e diástole do coração cósmico e do nosso próprio. Contração e expansão. Dar e receber.

Infelizmente, ao longo do tempo, as festividades foram esvaziando-se de sentido pois nos distamos do significado simbólico de cada momento. Afastamos-nos do sagrado e ficamos apenas com o profano. O vazio gerado pela perda do sagrado pode e precisa ser recuperada. Sagrado é a função de dar sentido. Podemos dar a nossa contribuição em cada uma destas festividades, procurando o sentido original da celebração, resgatando então o sagrado que há em cada uma destas fases do ano e da vida.

Associamos este momento do Natal ao nascimento do menino Jesus, um ser de luz que veio iluminar a humanidade. Em várias outras tradições, mais antigas que a cristã, também encontraremos a mesma simbologia. É a vitória da luz sobre a escuridão.

A celebração do Natal foi alterada para o 25 de dezembro pelos Romanos, devido à grande força que este evento cósmico do Solstício sempre teve para os povos antigos, em diversas outras tradições, anteriores ao cristianismo.

Ao longo da história da humanidade o sincretismo religioso e filosófico foi acontecendo e por isso hoje podemos estudar camadas de significados, de diferentes tradições, mitologias e também fatos históricos para este mesmo importante evento cósmico.

Antes do Sol começar a subir novamente em direção ao hemisfério norte, ele vai até a máxima latitude possível no hemisfério sul, tocando o trópico de capricórnio no solstício de inverno (para o norte). O sol fica uns dias neste ponto de máxima distância, onde a escuridão da noite é mais longa do que a luz do dia.

Simbolicamente, encontramos a batalha interna de todo ser humano em relação à suas trevas e à sua luz. E quem vencerá esta batalha?

No céu, o Sol vence esta batalha quando, ao retomar o movimento de ascensão, nos dá a esperança e a certeza de que a luz está retornando e logo a primavera chegará, e a vida novamente brotará.

Assim no céu como na terra, no Natal, alguns dias depois do solstício de inverno, esperamos o nascimento da luz em nós, de Cristo em nós.

Capricórnio é tradicionalmente associado ao movimento de subida da montanha, uma jornada longa e difícil, mas que a porção capricórnio não desiste e chega lá. Nos ensina a ter o comprometimento com aquilo que desejamos alcançar, o nosso cume pessoal. Por isso muitas vezes é associado à ambição, palavra que ficou restrita negativamente ao desejo por coisas materiais, ou ao poder, mas que na realidade traz em si a qualidade da obstinação para alcançar um determinado propósito. A ambição não é por si mesma negativa, mas sim o que elegemos como propósito a ser alcançado. Para subir uma montanha, ou atravessar um deserto, ou sobreviver no inverno, precisamos da persistência capricorniana.

O céu de 2019 nos convoca para o aprendizado desta energia Capricorniana-Canceriana. Teremos Plutão, Saturno, Júpiter, Marte e Nodo Sul em Capricórnio e o contraponto - Câncer - com Nodo Norte.

Dia 21 dez 2018 o Sol entrou em Capricórnio e dia 22 se fez Lua Cheia em Câncer, prenúncio para o próximo ano, onde os ciclos de eclipses irão acontecer. Se quiser especificar ainda mais o seu desafio pessoal, verifique no seu mapa astrológico a cúspide (início) das casas onde se encontra este eixo de signos câncer-capricórnio, pois estas áreas da vida podem ser trabalhadas conscientemente. O significado de cada casa astrológica pode ser facilmente encontrado na internet.

Capricórnio também é associado à maturidade e a relação com o tempo. Quando há neve e frio lá fora, o ser humano precisa se recolher para se proteger e passar pelo longo inverno. Momentos propícios para o desenvolvimento da vida interior, da espiritualidade. Como se a natureza criasse o berço para o nascimento do homem divino, propiciando aos seres a interiorização, o florescimento da vida interior, e o desenvolvimento da espiritualidade em si.

Vários mestres da humanidade tiveram como data de nascimento o período próximo ao natal, com a entrada do Sol em Capricórnio. Outra qualidade associada a este signo é a autoridade e referencial. Mestres podem nos inspirar como referencial de ser humano.

Mircea Eliade dizia que o Sol já travou e ganhou a sua grande batalha, sua luz venceu as trevas após o solstício e que existe algo equivalente a este sol, dentro da gente, que ainda trava sua própria batalha e é necessário o esforço (de capricórnio) para sair vitorioso.

Como Arjuna, símbolo do homem comum buscando a sabedora de Krishna. Os inimigos de Arjuna são seus próprios “demônios” internos, suas falhas e fraquezas. Todos temos a chance de lutar esta batalha e vencer o Minotauro que carregamos internamente. Os budistas recomendam vencer a “morte” (ego, ilusão, desejos) ainda em vida, e que somente estaremos vivos quando despertarmos do sono em que nos encontramos.

Que neste natal a luz desperte em mim e desperte em todos nós!

Feliz Natal

Feliz Ano Novo

Gratidão pelo ano de 2018, pela presença de vocês aqui comigo.

Beijos com carinho

Grazi

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